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Archive for novembro \26\UTC 2009

 

Hoje, ao longo do dia, me deu vontade de escrever sobre um certo sorriso apenas pela lembrança de um daqueles dentes que a mim me parecia diferente de todos os outros. Tinha um carinho por aquele seu dente que compunha o sorriso que você tão facilmente “esparramava” sobre meus olhos, que a mim era inexlicável – isso inclusive, nunca lhe disse, talvez pela estranheza de minha adoração…

Então, lembrei de seu “dente-sorriso” e quando me pus a escrever sobre ele, vi que não me falava mais nada. Não trazia aquela torrente de sentimentos – tão comum quando me ponho a escrever sobre ti e as impressões que me causa.

Dizem os antigos, que SONHAR com dente é mau-agouro, morte… E LEMBRAR de um único dente? O que será? Será que a lembrança também guarda em si o mesmo significado?

Eu não sei… Mas acho, acho mesmo, que naquela lembrança em que você mais uma vez “me veio”, dessa vez, você morria entre os dentes…

 

 

[Já indiquei no twitter, mas indicarei aqui também! Ouçam Marta Jean Claude. É uma cantora haitiana, exilada em Cuba, que se propõe a cantar as músicas populares do Haiti. Simplesmente lindo! Apesar deu não entender uma só palavra em criollo]

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Hoje, ao longo do dia, me deu vontade de escrever sobre um certo sorriso apenas pela lembrança de um daqueles dentes que a mim me parecia diferente de todos os outros. Tinha um carinho por aquele seu dente que compunha o sorriso que você tão facilmente “esparramava” sobre meus olhos, que a mim era inexlicável – isso inclusive, nunca lhe disse, talvez pela estranheza de minha adoração…

Então, lembrei de seu “dente-sorriso” e quando me pus a escrever sobre ele, vi que não me falava mais nada. Não trazia aquela torrente de sentimentos – tão comum quando me ponho a escrever sobre ti e as impressões que me causa.

Dizem os antigos, que SONHAR com dente é mau-agouro, morte… E LEMBRAR de um único dente? O que será? Será que a lembrança também guarda em si o mesmo significado?

Eu não sei… Mas acho, acho mesmo, que naquela lembrança em que você mais uma vez “me veio”, dessa vez, você morria entre os dentes…

 

 

[Já indiquei no twitter, mas indicarei aqui também! Ouçam Marta Jean Claude. É uma cantora haitiana, exilada em Cuba, que se propõe a cantar as músicas populares do Haiti. Simplesmente lindo! Apesar deu não entender uma só palavra em criollo]

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[Clarice, imagem e coração…]

Perdi alguma coisa que me era essencial, e que já não me é mais. Não me é necessária, assim como se eu tivesse perdido uma terceira perna que até então me impossibilitava de andar mas que fazia de mim um tripé estável. Essa terceira perna eu perdi. E voltei a ser uma pessoa que nunca fui. Voltei a ter o que nunca tive: apenas as duas pernas. Sei que somente com duas pernas é que posso caminhar. Mas a ausência inútil da terceira me faz falta e me assusta, era ela que fazia de mim uma coisa encontrável por mim mesma, e sem sequer precisar me procurar. Estou desorganizada porque perdi o que não precisava? Nesta minha nova covardia – a covardia é o que de mais novo já me aconteceu, é a minha maior aventura, essa minha covardia é um campo tão amplo que só a grande coragem me leva a aceitá-la -, na minha nova covardia, que é como acordar de manhã na casa de um estrangeiro, não sei se terei coragem de simplesmente ir. É difícil perder-se. É tão difícil que provavelmente arrumarei depressa um modo de me achar, mesmo que achar-me seja de novo a mentira de que vivo. Até agora achar-me era já ter uma idéia de pessoa e nela me engastar: nessa pessoa organizada eu me encarnava, e nem mesmo sentia o grande esforço de construção que era viver. A idéia que eu fazia de pessoa vinha de minha terceira perna, daquela que me plantava no chão. Mas e agora? estarei mais livre?

[“A paixão segundo G.H.” – Clarice Lispector]

[Esta margem, meus amigos, não se trata de um espaço para dar encaminhamento a coisas a serem ditas a outrem. Esta margem, sim! É o meu divã! É o “meu lugar” e o momento em que eu marco um encontro comigo mesmo pelo medo de acabar me perdendo em alguma esquina dentro de mim.]

 

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[Clarice, imagem e coração…]

Perdi alguma coisa que me era essencial, e que já não me é mais. Não me é necessária, assim como se eu tivesse perdido uma terceira perna que até então me impossibilitava de andar mas que fazia de mim um tripé estável. Essa terceira perna eu perdi. E voltei a ser uma pessoa que nunca fui. Voltei a ter o que nunca tive: apenas as duas pernas. Sei que somente com duas pernas é que posso caminhar. Mas a ausência inútil da terceira me faz falta e me assusta, era ela que fazia de mim uma coisa encontrável por mim mesma, e sem sequer precisar me procurar. Estou desorganizada porque perdi o que não precisava? Nesta minha nova covardia – a covardia é o que de mais novo já me aconteceu, é a minha maior aventura, essa minha covardia é um campo tão amplo que só a grande coragem me leva a aceitá-la -, na minha nova covardia, que é como acordar de manhã na casa de um estrangeiro, não sei se terei coragem de simplesmente ir. É difícil perder-se. É tão difícil que provavelmente arrumarei depressa um modo de me achar, mesmo que achar-me seja de novo a mentira de que vivo. Até agora achar-me era já ter uma idéia de pessoa e nela me engastar: nessa pessoa organizada eu me encarnava, e nem mesmo sentia o grande esforço de construção que era viver. A idéia que eu fazia de pessoa vinha de minha terceira perna, daquela que me plantava no chão. Mas e agora? estarei mais livre?

[“A paixão segundo G.H.” – Clarice Lispector]

[Esta margem, meus amigos, não se trata de um espaço para dar encaminhamento a coisas a serem ditas a outrem. Esta margem, sim! É o meu divã! É o “meu lugar” e o momento em que eu marco um encontro comigo mesmo pelo medo de acabar me perdendo em alguma esquina dentro de mim.]

 

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[Estante…]

[Como não há texto, vamos de música!]

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[Estante…]

[Como não há texto, vamos de música!]

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[O encontro – FINAL]

 

[Espero, meu amigo, que tenha conseguido dar conta da ansiedade pelo encerramento desse caso que comecei a lhe narrar na noite passada. Mas acredito ainda, que conhecedor deste que vos conta, sabia logo que não demoraria pra que a ansiedade em lhe participar das desventuras daquela moça, também não tardaria a chegar pela bandas de cá…]

……

Seus pés tocavam o chão o frio , aquele chão cru e áspero ao qual ela já deveria ter se acostumado a pisar. Fitou seus pés e por algum momento eles quase a desviaram das reais preocupações daquela noite. Olhava para eles e não os reconhecia como sendo seus – estavam tão maltratados, feridos e um tanto verdes àquela meia luz do quarto em que ela se preparava para deixar. Não se recordava por onde havia caminhado e forjado aqueles pés e aquele andar que agora a deixavam envergonhada de si mesma. Envergonhada de sua própria compleição física. De seus pés!

 Caminhava ainda em falso. Por algum momento chegou a questionar a lucidez, mas se dera conta de que de fato não estava sonhando. Algum momento ela ainda ficou parada sobre aquele beiral de porta, elocubrando sobre si, seus pés e sobre o que se passava, mas logo outro golpe de brisa a convidou a realidade que ela bem sabia não poder ser mais adiada.

Dirigiu-se então, em direção ao seu bem mais precioso – aquela penteadeira de vidro, que ainda em vidro acumulava os objetos daquele culto particular diário, ao qual sofregamente a moça havia acostumado a se render. Caminhou em direção a ele já com a certeza do que a esperava. E lá estava! Estava partido e inerte naquele chão aspero que as solas de seus pés tocavam, o IBÁ onde a moça há algum tempo vinha acumulando as forças daquele culto. Naquele momento, naquela fração mesmo em que nos damos conta de uma tristeza lancinante, a moça sentiu sugada toda a vida de dentro dela. Não queria acreditar em que seus olhos insitiam em forçá-la  a encarar…

Estavam ali, deitados e espalhados, todos aqueles que até então eram a própria força daquela moça. Viu ainda, e esta foi talvez a maior supresa revelada pela achadura daquele IBÁ, Xangô e Logun deitados lado-a-lado, ainda não se dando conta de que, os meios pelos quais aquele culto que ela os rendia, estavam desfeitos….

Xangô foi a o primeiro a levantar-se! Este culpava a moça pela própria sorte infeliz que aquele culto por fim tomara. Sua justiça implacável não foi capaz de levar em conta os esforços da menina até aquele momento. E ao perceber que a mesma estava preste a cair doente pelo peso que aquelas impressões as trazia, desitiu até mesmo de fazê-la cumprir as penas que lhe seriam devidas… Como ela bem sabia, Xangô é completamente avesso à morte e às intemperanças do corpo. E este partiu!

Logun acordou preguiçoso e logo se deu conta da situação em que se encontrava. Levantou-se e ainda bradou com a sua sacerdotisa pelo descuido com o próprio lugar onde ela o havia assentado durante aquele tempo, já que ele compartilhara sem saber a mesma casa que Xangô.

 Nele a moça ainda reconheceu alguma verdade, mas ao tentar se justificar, logo se deu conta de que este estava tão distraído em sua vaidade, olhando para si mesmo e a beleza que carregava, que o que ecoava a partir de sua boca não chegava até o orgulho daquele rapaz. Logun, logo se desencantou com o admirável mundo novo em verdade de sentimentos que a moça lhe ofertava, e partiu com a justificaticava de que precisava acertar a própria casa, agora desfeita pela queda daquele IBÁ.

Ela se viu só! E quando uma lágrima, apenas uma, que teimou em rolar daquele cílio direito entreaberto, estava prestes a tocar o chão, ela sentiu novamente aquela brisa em sua face. No entanto, dessa vez ela não veio doce ou calma, queimou feito fogo a fronte da jovem. E naquela dor que prometia ser insuportável a tragou para uma espécie de transe, que durante algum tempo fez com que esta permancesse inerte no centro daquele cômodo…

Foi Oiá…Oiá havia mostrado a verdade que há tanto a moça havia evitado! E ela entendeu…

Naquela hora, que já ameaçava amanhecise, pela cor azul cobalto que o lugar tomava, a moça fitou mais uma vez aquela penteadeira…Ela se deu conta, que durante todo esse tempo em que aquele culto exisiu, a penteadeira estava ali e a moça memso nunca houvera se olhado…Afinal de contas, sempre que estivera ali era para o exercício daquele culto que tirava a atenção dela de si mesma.

Caminhou vacilante em direção aquele espelho agora partido…Era um misto de medo e ansiedade que não deixavam de motivar o encontro daquela moça. O encontro daquela moça consigo mesma.

Ela finalmente se olhou! Viu seu rosto…Seus olhos…Que no fundo da retina ainda guardavam a graça e o apreço por si mesma que ela cultivava acerca de um ano atrás… E ela quis parar naquela imagem de si mesma que ela encontrou no fundo de seus olhos castanhos naquela noite…

[Nesse momento, meu amigo, a moça se encontrou! Nesse momento mesmo, nessa fração de segundos em que ela buscou o fundo de seus olhos… Ela esteve novamente junto de si…

 E nesse momento, meu amigo…Eu te digo! Eu também me vi no fundo dos olhos daquela moça. Por que você bem sabe desde o começo desse conto:

– No final das contas, a moça…

Sou EU!]

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